Quero chacinar tudo que é belo.
Quero esquartejar o divino,
Derramando o sangue áspero e
quente por entre meus dedos.
Quero abrir os grandes tubos de
petróleo e poluir todos os mares e oceanos.
Quero que sintam a dor de ter o
coração arrancado, comido e regurgitado.
Quero o sal no peito talhado, a
face feia do torpor. O grito de pânico é o meu desejo.
Quero que o casto se espante com
o fálico esfregado na cara.
Quero a morte do amor, a morte do amor que tu
falas e não sinto.
O carnífice me sentenciou a
querer o fugaz e o atroz.
Agora reflito ao mundo o gosto
acre e abrasivo do ódio.
Pagarei a todos com meu desdém, e
com o dedão em riste apontado aos céus.
O que quer que seja belo em mim:
eu quero matar.
Quero matar o sentimento que
jurei ser verdadeiro.
Quero matar tuas mentiras, mesmo
que me sangue o peito.
E matarei o meio, mesmo que você
seja o tudo.
Os meus quereres irão refletir o
nosso nada.