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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Quereres

Quero chacinar tudo que é belo. Quero esquartejar o divino,
Derramando o sangue áspero e quente por entre meus dedos.
Quero abrir os grandes tubos de petróleo e poluir todos os mares e oceanos.
Quero que sintam a dor de ter o coração arrancado, comido e regurgitado.
Quero o sal no peito talhado, a face feia do torpor. O grito de pânico é o meu desejo.
Quero que o casto se espante com o fálico esfregado na cara.
Quero a morte do amor, a morte do amor que tu falas e não sinto.
O carnífice me sentenciou a querer o fugaz e o atroz.
Agora reflito ao mundo o gosto acre e abrasivo do ódio.
Pagarei a todos com meu desdém, e com o dedão em riste apontado aos céus.
O que quer que seja belo em mim: eu quero matar.
Quero matar o sentimento que jurei ser verdadeiro.
Quero matar tuas mentiras, mesmo que me sangue o peito.
E matarei o meio, mesmo que você seja o tudo.
Os meus quereres irão refletir o nosso nada.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Brindemos meu amo.


Brindemos meu amo.  


Encha seu copo com minhas lagrimas, transbordo minha taça com tua fúria, com teus olhos que só dizem raiva, com tua boca que narra o silêncio, com teu corpo que traduz meu tesão.
Eu vejo o mundo através desses meus óculos gastos e cansados.
Minhas lentes não desmistificam mais o real da ilusão, e não adianta mentir compaixão nem medir a precisão do quão profundo podes me cortar antes que o meu sangue jorre e suje sua linda alma com meus pecados.   
Só tenho agora os carinhos do motor.
Máquinas não mentem jamais.
Circuitos timbres e agonias da alma mecânica.
Rendermo-nos às verdades algorítmicas.
Restam-me os carinhos do inorgânico. 
Mas esta sangria que jorra de suas veias me engana.
Minhas lentes não traduzem nada. 
Que mundo é este óculos do inferno?
Falas de amor, então por que não é orgânico?
Vamos meu amor, aperte o gatilho. 
Quero ouvir do inferno tua linda risada medonha e me esbaldar em medo.
Quero ouvir o disparo, soando como uma sinfonia de destruição.
Quero ver o projétil atravessar meu peito asmático e gasoso.
São estes teus olhos, torturando-me mais que mil navalhas, e mesmo assim me acalentam.
Enchei teu copo com meu sangue, com meu cheiro intenso e abrasador.
O amor sangra. É como uma ferida que poderia sarar se pudéssemos parar de lamber.
Mas como não paramos: a ferida vira um tumor.
Será que morreremos de câncer?
Ou nos arrastaremos de pereba em pereba até a morte de nossa última quimera?
Amputarmos as línguas. É isso o que faremos.
 Sem câncer sem amor sem palavras.
Brindemos meu amo.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Cenas


Os pássaros de Hitchcock querem devorar meus olhos.
Sinto-os cobiçando o que eu vejo:
A tempestade da cor dos teus olhos, iluminados olhos.
Corvos que arrancam meus pensamentos, devorando-os feitos vermes.
Talvez seja o olhar do demoníaco em branco e preto de Bela Lugosi.
Sinto chupar meu sangue quente, gota a gota. Só para fortalecer sua juventude.
Malditas são as vozes que atormentam meus ouvidos.
Plantando tormentas em meu cérebro.
Sim, eu sei que você quer saber o que se passa em minha mente.
Eu só desejo um amor e uma magno 45.
Mancharia toda essa parede com meus pensamentos.
E os nacos encefálicos ornamentariam esse celeste infinito, perene e azul.
Gritos de tormentas são o que trago na mente, meu amor.
Levem tudo, pássaros malditos. Beba o sangue nosferatu.
Quero ser um zumbi cego, quer viver sem teu amor.
Sim, eu sei que você quer saber o que trago em minha mente.
Meu sangue é amargo. Meu suor é frio, mas o disparo da 45 sai quente.
Apague as luzes, ou melhor: feche os olhos.
Quero que unte meus lábios com teu batom cor de pecado.
Teu cheiro forte e quente. Tua boca a morder meu pescoço.
Apenas os corvos sabem os delírios minha mente.
O olhar vampiresco de penitencia segue a mirar meu crânio vazio de tanto pensar em ti.
Mantenha os olhos fechados, Kubrick e o seu perfeccionismo imploram, com canções minimalistas a cantar teus encantos.
Nesse momento menor, só quero a esmola de um carinho.
Mas só vejo dentes brancos a arranharem minha alma tarantinisca.
E meu instinto de cão de aluguel a uivar para tua lua.

sábado, 2 de junho de 2012

Tempo

Queria que o tempo queimasse. Passasse sereno e esfumaçado como a fumaça tóxica do cigarro. Só queria penetrar pela última vez na tua vulva quente, e dar minha risada grotesca.

Queria o tempo sujo. Mal higienizado. Na falta de profilaxia das pernas de uma meretriz barata eu me perderia. Ou me acharia desde que parasse de solver o barro orgânico e célere do tempo.

Beije-me com os olhos abertos. Mente na minha cara, mas um pouco. Posso ver as unhas sujas a me enredarem. Lábios negros, cruéis, tentadores: beijai meu símbolo fálico tombado a esquerda. Deixei o tempo para me tornar imortal. Mas ainda não soprem minhas cinzas ao vento.

É preciso mais um quartinho embriagante de versos, amor, ódio ou qualquer merda dessas aos soluços rotos. Agora tempo: queima-i. Mimoseando as lagrimas. Não! Não são sentimentos isto que vês.

É apenas a neblina do cigarro a esfumaçar a vista, é o tempo que passa e nem vemos. Expressaria algo se houvesse tempo. Metaforicamente, tempo e vida se unem para nos comerem. E apenas fico assim: vestido de nu. Percebo que não trago comigo nem meus próprios sentimentos.

As rugas na face não me deixam caído. Meu escroto só clama uma lambida ultima que seja. E seus três olhos em brasas, não vêem que o tempo foi passando, como um disparo de uma arma calibre 45.

O tempo passou tanto que não deu nem tempo de dizer adeus. Gozei, limpei, lavei, botei, tirei, escapuli, gritei, gemi, lubrifiquei, fudi, morri... Morri. Mas no ultimo segundo, oh! Tempo, beijai-me e dizei-me no ouvido, mordendo a orelha e lambendo os lábios. Antes de devorar-me. Dizei-me:

A vida é uma bela, talvez cabeluda. Então, enfim, esfregai essa rapariga na minha cara. Foi bom pra você? Agora tempo: lambei toda essa porra como a boa vaca que és. O tempo queimou. Ficai com as cinzas.   
  




sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Pra sempre essa noite

Eu que queria falar de amor.
Queria uma palavra ainda não pronunciada...
Incauta, incivilizada, crua. Porém, viva.
Uma espécie de palavra algorítmica,
Que crivasse minha boca,
Assim como margaridas que explodem pelo asfalto,
E ignoram o concreto quente.
Pra sempre essa noite:
Sou uma palavra fantasma, mas não morta.
Sou uma palavra que abarrota o copo de luz,
Que seduz o nosso eterno furor de viver.
Pra sempre essa noite:
Dias de mil anos, anos de deus.
Mas ainda queria uma palavra.
Acho que ela braceja cá dentro das entranhas,
Lutando pra sair da goela seca e depois gritar um canto de ronquidão.
Pra sempre essa noite:
Roço. E eu que queria falar de amor.
Amor! Nossa palavra.
Pra sempre comigo essa noite.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Algumas palavras de amor

Amor...
Idiossincrasia, estoicismo, hedonismo: amor.
Pegue esta palavra e me sangre.
Porém, me poupe o escroto e me lamba o falo.
Quero o meu caráter á moda da foda,
Assim: forte e quente como cheiro execrável dos sedimentos orgânicos.
Amor é uma palavra estorvo, estrabismo, escalafobética e escarmentada por ela mesma.
Palavra estraçalhada nos veios de uma boca rasgada e rota... Estomatite.
Estrepitosa ao falar.
Amor é uma palavra estomagada, estridente, estrige e escabrosa.
Algumas palavras...
Aqui estão as minhas, me foda com as suas. Sem cuspe e sem areia, por favor.
Solto as palavras e prendo a respiração até ficar sem as mesmas.
Falas de amor?! Se foda. Fiquei surdo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Troca

Um centavo por tua alma.
Algum amor por desalento.
Uma tapa em tua cara, em minhas mãos os espinhos.
Um silício por qualquer silêncio.
Vou apertar tua garganta mais um pouco... Um pouco mais.

Um centavo por uma noite.
Uma abóbora por qualquer realidade.
E uma noite por qualquer carinho.
E eu preciso de mais um pouco,
Desse escarro em minha boca... Um pouco mais.

Uma noite por um centavo.
De nossas permutas não temos trocados.
O terror agora é nossa carruagem.
E nossos gritos agudos não enxergam as lagrimas.
E eu preciso segurar o gozo pra te ver gozar... Um pouco mais.

Uma vida por uma noite.
O meu silêncio agora é o teu silício.
Minha pele é crivada de espinhos.
Realidade é o impossível glorificado.
E a carne tremula é o nosso destino.

E eu preciso gritar mais um pouco,
Pra gozar um pouco mais... Um pouco mais,
No teu corpo suado e quente.
E eu só queria penetrar mais um pouco.
Pra te ter mais um pouco... Um pouco mais.