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sábado, 22 de março de 2008

Não consigo falar de amor (ou desamor)

Venha comigo, embarque nas profundezas obscuras da minha alma,
Levar-te-ei a sôfregas lembranças, a amores que descri no passo do cotidiano.
Num ceticismo glorioso de um abnegado ao viver, um viver arrastado e amargo.
É quente a carne coze no mormaço da tarde,
Meus versos esparramam uma dor pelas linhas, essa hora passa rápida,
Nem se nota o labor pra não mal dizer o amor.
O amor que hoje desafio a afortunar-se, a lançar-se ao mar e remar, mesmo sem norte ou céu que o guie.
E logo eu, que nesse ateísmo calo, pois o inferno é a única verdade em minha vida.
Sim, este escuro me encarcera.
Mas não largue minha mão, nestas palavras ainda tentarei falar de amor.
Não desisto, a caneta não risca teu nome,
O amor não consigo conjugar, apenas conjurar, mas essa não é minha lida no momento.
Vendo-me versejando a um amor que não me pertence,
Apenas pequei cobiçando você em meio ao calor, desejando com raiva tua presença,
Quase sinto tua boca, tão perto, ao mesmo baque distante da minha vista.
Mas não habita no meu hipertenso cerne amor algum. Ainda não... Ainda não.
O medo me suborna com comodidade, me soberba com a chegada da vespertina, mas não consigo expressar o óbvio.
Lembro que te prometi um amor escrito, penso num verso,
Cá dentro das entranhas ele grunhe esta fera me apavora, mas não sai.
Os versos são como sal nas feridas, dói, mas logo gozo.
Indago: amor, amor... Onde estas? Onde? Que não responde as minhas suplicas.
-mas como pode um ateu clamar? Há esperanças? A culpa é sua porque não morre?
Fecho os olhos, imagino teu passo ao meu lado, vejo, achei, estava perdido nas confusões do léxico do poema e no meu desespero por não te ter.
Pois quero tua alma junta a minha sombra, aos meus cacos de miséria.
Mesmo que me amaldiçoe a vida, e me faça renegar a descrença em que me abrigo.
O calor não passa aperto tua face um pouco mais na mente,
Mais e mais, ate sangrar, ate teu tangível vulto me alumiar.
Ainda não espremi tudo do âmago, mas sei por estes versos te amei,
Porém, de amor não mais discorrerei, mostrarei todas as vezes que embarcares comigo nas idas a minha essência, e sempre que na tua mentira acreditar comboiarei, pois nela me encubro.

2 comentários:

Rafael Rodrigo disse...

esse foi pra uma pessoa linda e muito especial, mesmo sendo de amor e brega kkkk

tamires disse...

Lindo *-*