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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Orientação

Sempre penso que minha força está na solidão,
Na lentidão do tempo, nos compassos simples que me enterram em desalentos.
Aprendi a ter medo das precipitações.
E sempre que a abóbada celeste começa a condensar os núcleos hidroscópicos é sinal de tempestade.
Isso me assusta, sou formado das trevas da noite,
Respiro a imensidão das estrelas, no abrigo do crepúsculo.
Sou feito da nebulosidade da existência com seus mistérios.
Disto sou acometido.
Mas tenho medo do viver, medo deste existencialismo fugaz que tanto me ludibria.
Tenho medo do novo, dos desamores porvir, das tristezas que inevitavelmente machucarão minha alma, abreviando-me ao pó.
Lacônicas cinzas que misturadas à água viram lama, ausência, merda.
Tenho medo do que não entendo. Queria ser mais racional.
Hoje uma parte de mim chorou.
A outra parte se perdeu tentando traduzir estes versos de morte.
Ansiava entender a prolixidade do que deveria ser simples,
E na simplicidade não ter medo do céu que desaba sem contar as malditas gotas.
E mesmo assim, ainda gosto de dormir sobre a sinfonia das águas.
Sobre tudo, quero ter a garantia de ao menos poder me iludir de novo.
E destarte pensar que estou entendendo e me orientando pelo pensamento de indecisão.
Bom, chego à conclusão que o melhor é a desorientação.

Um comentário:

Cinthia disse...

pow ñ tinha visto esse...
adorei!!
e é a tua cara,tua representação mesmo!!
posso roubar??